Professor, Marco antonio, meu mestre adorado! 30/11/2012
Escrevi o artigo abaixo em 2008.
Para meu desalento, parece que estamos caminhando numa esteira rolante...
Milabraços...
Marco Antônio
29/11/2012
CONSELHO DE CLASSE
E SÉRIE: UMA PEDRA NO CAMINHO
Das
outrora sólidas torres da educação só restam escombros. Urge realizar a ingente
tarefa de refazer tudo. É tempo de reconstrução urgente, realista, inteligente
do edifício educacional brasileiro.
Samuel
Pfromm Netto — pedagogo, psicólogo, historiador e professor.
(trecho extraído de artigo
publicado no Estadão, em 5/12/2007)
A
crise de qualidade que tem assolado a rede pública de ensino apresenta uma
deformação crônica, de cuja solução dependerá o sucesso de quaisquer políticas
voltadas para a regeneração desse tecido carcomido por décadas de desmando.
Trata-se
dos famigerados critérios de análise e decisão adotados pelo Conselho de Classe
e Série, no final de cada ano letivo.
Alunos
reprovados em quatro ou cinco disciplinas, sabidamente negligentes e
descomprometidos com suas obrigações elementares de participar das atividades
prescritas pelos professores, são promovidos como num passe de mágica,
desmoralizando todo o trabalho pedagógico de quatro longos e exaustivos
bimestres.
Que
espécie de lição de vida tais indivíduos levam da escola?
Não
estaríamos formando pseudocidadãos?
Não
seria essa uma das grandes porteiras da impunidade, o princípio gerador da
corrupção, que grassa em todos os níveis da sociedade brasileira?
E
a formação do capital humano, saída única para que o país atinja patamares
decentes de desenvolvimento, em face das exigências do mundo contemporâneo?
Três
aspectos emergem desse estado de coisas:
I)
Os alunos responsáveis, cumpridores de seus deveres, se veem nivelados por
baixo, sentindo-se equiparados, na reta de chegada, aos seus colegas
negligentes. É como se, numa competição, os últimos colocados dividissem o
pódio com os primeiros, com direito ao banho de champanhe.
II)
Nada existe mais desalentador para um profissional do que ver subestimada a
importância de seu trabalho.
Pois
é esse o sentimento de um professor, ao saber laureado com a promoção aquele aluno
que nem abria o caderno na sala de aula, era usuário contumaz de celular e mp3,
perturbador da ordem, tipo que fazia da escola o botequim da esquina, sem
nenhum compromisso com os estudos.
Eis
aí o porquê da mediocridade intelectual de considerável contingente de jovens egressos
da escola pública.
III)
Por conta dessa prática decisória, não atrelada à qualidade — de contornos nebulosos, apesar de legalmente amparada
pelos não menos cavernosos meandros da progressão (?!?!) continuada — alunos com tacanhos conhecimentos de português e
matemática podem ir passando ilesos, incólumes ao longo dos onze anos oferecidos
pela rede, sem serem molestados pelo sistema — um autêntico genocídio
intelectual.
Depois,
as autoridades do ramo ficam cheias de melindres, quando se noticia que o jovem
brasileiro não sabe ler e interpretar, não é capaz de redigir textos de boa
qualidade, não sabe utilizar conceitos na solução de problemas triviais de
matemática, o que tem colocado nossos jovens aprendizes muito aquém dos índices
de países onde a Educação é tratada como fator de sobrevivência na aldeia global.
Enquanto
não mudarmos os critérios de promoção, enquanto os educandos não tiverem a
obrigação de apresentar índices mínimos e quantificáveis de rendimento, se não
houver transparência e compromisso com qualidade nos nossos viciados conselhos
de classe, enquanto não restabelecermos o mérito do saber, vai ser impossível transformar
o sapo em príncipe, vamos conviver com toda sorte de malefícios, condenados a
arder na fogueira dos nossos desatinos pedagógicos.
Essa
reflexão vem à baila, quando as autoridades do ensino preparam mais uma ofensiva
de impacto, na tentativa de melhorar a qualidade do trabalho educacional.
Mais
uma vez, estão apostando todas as fichas nos professores, desprezando o sábio
princípio, segundo o qual contratos estabelecem deveres e direitos de
contratantes e contratados, como colunas de sustentação do edifício social.
Por
uma questão de justiça com o suado dinheiro do contribuinte, já passou da hora
de “a outra parte” prestar conta de seus deveres.
O
futuro da Terra Brasilis ficaria muito grato.
Marco Antônio
Janeiro, verão, 2008.
e-mail marcvel@terra.com.br
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