quinta-feira, 15 de novembro de 2012


 Educador precisa de autonomia

O Educarede publicou entrevista e palestra com Nelson Preto, da UFBA, “O papel das novas mídias na Educação: professor e aluno como autores”. Partilho da mesma opinião que o professor quando ele afirma que o papel da escola é produzir conhecimento, de forma cooperativa e não simplesmente consumir informações. Dessa forma, não podemos mais falar hoje em padronizar a educação, imaginar um conteúdo fechado, determinado de cima pra baixo. Professor tem que ter autonomia, precisa ser "autor" e não "ator", afirma Pretto. Já dizia Freire, Vigotsky, Piaget e outros grandes educadores que a aprendizagem ocorre na interação com o meio social. Não podemos então desvincular as experiências educativas na escola das vivências do aluno na sociedade. É inaceitável que em pleno século XXI ainda haja quem defenda a produção em massa de um monte de alienados nas escolas, que sejam treinados para atender às exigências da sociedade de consumo. Não há como desenvolver a criatividade , estimular o potencial individual e o respeito às diferenças, senão aprendendo de forma cooperativa, aberta, abrindo a escola para o mundo. Não há como formar uma sociedade justa sem o respeito a essas diferenças, portanto padronizar a educação é o mesmo que negar o direito à cidadania plena. Nesse sentido, o uso das tecnologias não pode ser visto como mais um artifício de modernidade, onde por trás a lógica da transmissão e consumismo de informação continua a mesma. O que precisamos é criar uma política de cooperação, onde através da tecnologia o aluno e o professor possam "criar" utilizando as informações disponíveis, pessoas e instituições além dos muros da escola que possam agregar conhecimento através de trocas mediadas pelo professor. Ouça a palestra na íntegra aqui.
Em contrapartida, o jornal Zero Hora publicou dia desses uma entrevista com a Sra. Secretária de Educação do Estado do RS: "As escolas precisam prestar contas", onde ela explica a nova política adotada com a educação da escola pública aqui no meu estado. Destaco aqui parte das declarações fornecidas: "Quando o Rio Grande do Sul tinha a melhor qualidade de educação no Brasil, no início dos anos 60, tinha duas coisas que caracterizavam o funcionamento da rede estadual de ensino. Uma, um serviço de inspeção escolar. O inspetor trabalhava na secretaria, na coordenadoria, mas visitava periodicamente as escolas e verificava se os registros escolares estavam corretos e obedeciam à legislação. ...E aquela lista de chamada onde o professor tem que colocar assim: "dia 3 de março, aula de português, crase", "dia 15, aula de português e exercícios sobre a crase". O inspetor escolar também conferia isso, se os registros escolares estavam corretos e se os conteúdos programáticos estavam sendo desenvolvidos adequadamente. A avaliação final, a prova final de cada série era elaborada na Secretaria da Educação e chegava às salas de aula em pacotes lacrados, como chegam as provas do vestibular, ou da Prova Brasil. Só que não era para avaliar a escola, como a gente faz hoje, mas para avaliar o aluno. O aluno, para passar de ano, tinha de passar na prova feita na SEC. E os professores tinham de desenvolver os conteúdos curriculares definidos pela secretaria, porque tinham de preparar seus alunos para passar na prova da SEC."
Queridos leitores, espero que eu tenha me equivocado na interpretação que fiz desse texto. Leia na íntegra aqui. Abaixo, o vídeo do professor Nelson Pretto.

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