Educador precisa de autonomia
O Educarede publicou entrevista e palestra com Nelson Preto, da UFBA, “O papel das novas mídias na Educação: professor e aluno como autores”.
Partilho da mesma opinião que o professor quando ele afirma que o papel
da escola é produzir conhecimento, de forma cooperativa e não
simplesmente consumir informações. Dessa forma, não podemos mais falar
hoje em padronizar a educação, imaginar um conteúdo fechado, determinado
de cima pra baixo. Professor tem que ter autonomia, precisa ser "autor"
e não "ator", afirma Pretto. Já dizia Freire, Vigotsky, Piaget e outros
grandes educadores que a aprendizagem ocorre na interação com o meio
social. Não podemos então desvincular as experiências educativas na
escola das vivências do aluno na sociedade. É inaceitável que em pleno
século XXI ainda haja quem defenda a produção em massa de um monte de
alienados nas escolas, que sejam treinados para atender às exigências da
sociedade de consumo. Não há como desenvolver a criatividade ,
estimular o potencial individual e o respeito às diferenças, senão
aprendendo de forma cooperativa, aberta, abrindo a escola para o mundo.
Não há como formar uma sociedade justa sem o respeito a essas
diferenças, portanto padronizar a educação é o mesmo que negar o direito
à cidadania plena. Nesse sentido, o uso das tecnologias não pode ser
visto como mais um artifício de modernidade, onde por trás a lógica da
transmissão e consumismo de informação continua a mesma. O que
precisamos é criar uma política de cooperação, onde através da
tecnologia o aluno e o professor possam "criar" utilizando as
informações disponíveis, pessoas e instituições além dos muros da escola
que possam agregar conhecimento através de trocas mediadas pelo
professor. Ouça a palestra na íntegra aqui.
Em contrapartida, o jornal Zero Hora publicou dia desses uma entrevista com a Sra. Secretária de Educação do Estado do RS: "As escolas precisam prestar contas",
onde ela explica a nova política adotada com a educação da escola
pública aqui no meu estado. Destaco aqui parte das declarações
fornecidas: "Quando o Rio Grande do Sul tinha a melhor qualidade de
educação no Brasil, no início dos anos 60, tinha duas coisas que
caracterizavam o funcionamento da rede estadual de ensino. Uma, um
serviço de inspeção escolar. O inspetor trabalhava na secretaria, na
coordenadoria, mas visitava periodicamente as escolas e verificava se os
registros escolares estavam corretos e obedeciam à legislação. ...E
aquela lista de chamada onde o professor tem que colocar assim: "dia 3
de março, aula de português, crase", "dia 15, aula de português e
exercícios sobre a crase". O inspetor escolar também conferia isso, se
os registros escolares estavam corretos e se os conteúdos programáticos
estavam sendo desenvolvidos adequadamente. A avaliação final, a prova
final de cada série era elaborada na Secretaria da Educação e chegava às
salas de aula em pacotes lacrados, como chegam as provas do vestibular,
ou da Prova Brasil. Só que não era para avaliar a escola, como a gente
faz hoje, mas para avaliar o aluno. O aluno, para passar de ano, tinha
de passar na prova feita na SEC. E os professores tinham de desenvolver
os conteúdos curriculares definidos pela secretaria, porque tinham de
preparar seus alunos para passar na prova da SEC."
Queridos leitores, espero que eu tenha me equivocado na interpretação que fiz desse texto. Leia na íntegra aqui. Abaixo, o vídeo do professor Nelson Pretto.
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